Como as empresas podem ajudar funcionários com depressão?

Angústia, prostração, queda de rendimento e perda de interesse pela vida, muitas vezes sem motivo aparente, são sinais de depressão. O transtorno psiquiátrico atinge pessoas de qualquer idade e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a quarta causa de incapacitação. Além disso, segundo o órgão, a depressão, até 2020, será a enfermidade que terá maior crescimento no mundo.

No Brasil, que lidera o número casos de depressão na América Latina, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram dessa patologia. Entre os anos de 2005 e 2015, segundo a Anuário do Sistema Público de Emprego e Renda do Dieese, houve um aumento na quantidade de trabalhadores e trabalhadoras afastados das atividades corporativas. Traduzindo o cenário em números, cerca de 25% (181.608) dos empregados precisaram de licença médica. 

O diagnóstico nem sempre é aceito e, em alguns casos, a vergonha em admitir o problema posterga a busca por ajuda. Com dados cada vez mais alarmantes, a depressão ganha mais espaço nas discussões em diversas esferas sociais, incluindo o meio corporativo. Algumas empresas começaram a acolher e auxiliar funcionários na luta contra o transtorno psiquiátrico, mas ainda são poucas.

“Embora hoje haja um entendimento melhor, por parte da sociedade, sobre o que é depressão, alguns gestores não possuem um conhecimento claro ou uma preocupação real sobre a doença”, explica o coordenador do curso superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da UNINABUCO, Jessé Barbosa de Araújo. 

Mesmo assim, ele aponta que é necessário o funcionário ou funcionária levar a questão para o setor de Recursos Humanos, que saberá conduzir o problema. “É recomendável que o funcionário procure primeiro o setor de Recursos Humanos para explanar sobre o assunto, não é que o mesmo não possa tratar com o gestor de imediato, mas o setor responsável pela saúde e bem estar do trabalho é o RH, que pode contribuir muito mais na resolução do problema”, ressalta.

Além disso, Jessé Barbosa observa que o primeiro passo para a ajuda deve partir do trabalhador ou trabalhadora por meio de diálogo com o setor do RH da empresa. “Se o funcionário conseguiu abrir-se para o RH e expor sua situação, o mesmo venceu uma grande batalha que é reconhecer que precisa de ajuda”, expõe.

Questionado sobre o papel da corporação como auxiliar no tratamento da depressão, o especialista ressalta a existência de parcerias com clínicas-escolas ou núcleos existentes dentro do espaço corporativo. “O RH, em virtude de diversas parcerias que possui, pode direcionar o colaborador para algum parceiro, a exemplo as empresas que possuem convênio com instituições de ensino ao qual possuem as clínicas-escolas que oferecem atendimento psicológico gratuito ou a um preço acessível. Geralmente, esse setor possui profissionais do campo da psicologia que podem contribuir bastante na identificação, apoio e direcionamento para ajuda especializada. Além disso, compete a organização acompanhar o desdobramento da situação dos seus funcionários e verificar se a causa raiz não está na empresa, devido à gestão que assedia moralmente ou sexualmente, como também o clima organizacional ou de ordem estrutural (física), complementa.

Em caso de solicitação de afastamento, Jessé destaca que é a empresa deve acatar a licença, desde que seja comprovada por laudo emitido por um psicólogo ou psiquiatra. “ Antes de mais nada, a empresa precisa entender  que a depressão é um problema real e que afeta a vida do trabalhador e não encará-la como mera banalidade. Em caso de licença, a organização precisa da documentação comprobatória, seja ele emitida por psicólogo ou psiquiatra, com o laudo de afastamento para fins de justificativa junto ao INSS”, esclarece. 

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