WhatsApp: ferramenta de comunicação precisa ser usada com cautela

Em meio a uma sociedade conectada, é difícil impor limites a si mesmo quanto à utilização de redes sociais em diferentes ambientes da vida. No trabalho, local no qual costumamos passar a maior parte do tempo, esse problema pode ser ainda maior.

Um dos aplicativos mais utilizados no Brasil é o Whatsapp. Um levantamento realizado pelo Datafolha, que ouviu 2.038 pessoas entre os dias 02 e 03 de abril deste ano, elenca o app de troca de mensagens como utilizado por 69% dos entrevistados para comunicação. São 120 milhões de usuários ativos no país. Torna-se quase impossível estar offline. A ferramenta pode ser uma aliada para assuntos profissionais. No, entanto é preciso impor alguns limites nas relações da vida.

De acordo com o coordenador dos cursos tecnológicos da Universidade Joaquim Nabuco, Edson Brígido, é preciso disciplina para que a utilização do aplicativo seja saudável. “A grande dificuldade primeiro é fazer entender que, se uma empresa decide usar o Whatsapp que se compreenda que vai haver uma nova disciplina a ser empregada para o uso. Só que é uma disciplina que tem que ser desenvolvida de uma maneira individual e essa disciplina pode ser utilizada tanto para quem lidera e para quem é liderado”, afirma.

Fato é que a comunicação ficou mais rápida e eficaz desde que o Whatsapp passou a ser utilizado mais massivamente. Os grupos com os colegas de trabalho ajudam a solucionar questões comuns e dar informações gerais de uma só vez. No entanto, para o coordenador, nem todos os assuntos podem ser tratados por mensagens. “Existe uma margem muito grande para que haja ruído na comunicação quando o Whatsapp é utilizado como fins corporativos. E aí para não correr esse risco é bom criar uma estrutura que informações mais gerais, mais corriqueiras, que não demandam tanta explicação pode ser utilizado, mas aquelas que precisam ‘face a face’ é bom ter o diálogo clássico”.

Uma outra questão quando as equipes fazem uso do WhatsApp como ferramenta de trabalho diz respeito aos horários. Os chefes não podem exigir que depois do expediente ou nos finais de semana o subordinado esteja a postos para atender as demandas da empresa.

Se quiser responder, o funcionário até pode, mas não tem a obrigação. “Não é porque a pessoa está online sempre que, por exemplo, em um sábado à noite, eu posso incomodar porque eu quero um relatório na segunda-feira e esqueci de pedir durante a semana. Tem respeitar o horário do trabalhador. Dentro do expediente não tem problema nenhum mandar uma mensagem. Fora dele fica mais restrito, porque vai ser vinculado como se fosse um trabalho e pode dar problema, inclusive judicial”, explica o coordenador da Uninabuco.

Mesmo que as empresas adotem o aplicativo como um veículo de comunicação entre seus funcionários, ela não pode abrir mão do tradicional, do contato humano, principalmente pelas tecnologias serem falhas. Muitas vezes a palavra não surte o mesmo efeito quando utilizada numa conversa pessoalmente. “Mandei uma mensagem para uma pessoa que trabalha comigo utilizando o Whatsapp, eu não posso compreender e assumir que porque eu mandei a mensagem o recado está dado. Não é só porque a pessoa leu o recado que está compreendido”, diz Edson.

Vale a dica de que assuntos mais sérios como demissões, reclamações, solicitações devem ser tratados pessoalmente, nada de mensagem e muito menos em grupo, onde a pessoa vai ser exposta. Evita que haja confusões e margem para que haja desgastes nas relações empregado-empregador e, como disse Edson Brígido, acabe causando ações judiciais.

 

*Por Marcele Lima

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.